quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Poder do coração

O dia estava quente, uma segunda-feira com sabor de Brasil. Na boca o amargo, fruto da bebedeira do fim-de-semana. Os olhos inchados, típicos de uma pessoa que havia passado a noite fora de casa. Camiseta branca, calça jeans, all star nos pés, capacete na cabeça e aquele vento refrescante que tocava o rosto com uma suavidade imensa causando um frescor. Na mente lembranças da semana anterior, tão perfeita como aquela brisa. A segunda-feira anterior havia sido perfeita.
No escritório nem o ar condicionado e o ventilador trabalhando juntos davam conta de conter o calor, os computadores pareciam esquentar ainda mais o ambiente, a sala branca com as paredes de vidro, parecia mais um forno de microondas.
Antes do trabalho, uma passada rápida para ler os scraps enquanto o msn era inicializado. Abre-se então uma janela de conversação, aquele som típico, as vezes irritante, quebra o silencio do ambiente. Um amigo chama, talvez uma conversa, um simples “oi” ou alguma coisa inútil. Não dessa vez! Ao ler aquela frase que dizia que a pessoa que eu amava havia morrido, todo o calor que eu sentia se transformou num frio jamais sentido antes, vinha de dentro pra fora. Tudo que via começou a desaparecer e foi transformando-se num branco insuportável. O som da pessoa chamando no msn foi sendo substituído pelas batidas do coração.
Com as pernas tremulas, dirigi-me ate a sala ao lado da minha e a única frase que consegui pronunciar foi um “ele morreu!”, como se todos ali o conhecessem. Senti uma brisa leve no meu rosto, no mesmo instante que minhas pernas perderam as forças, o sofá preto atrás de mim foi o apoio a toda aquele insuficiência física. A água com açúcar que trouxeram parecia ter sido retirada do mar. O norte sumiu, a falta de saber como reagir e o choro solitário aumentavam ainda mais a dor no coração.
Abraça-lo, beija-lo, segurar naquelas mãos macias era tudo que conseguia pensar, mas naquele momento tudo estava reduzido a pó. A sensação de impotência, de não ter feito nada, de não estar entre a bala e o seu corpo aumentava a cada soluço, causado pelo choro desesperado.
No caminho de volta a casa, devagar por aquela estrada de chão, cercada por arvores dava a sensação de derrota, as lagrimas que escorriam pelo rosto chegavam ate os lábios com aquele gosto amargo e pareciam ferir a pele por onde passavam.
O travesseiro era tudo que podia querer. No quarto facilmente sentia-se o perfume do seu corpo, trazido pela lembrança dos momentos juntos, poucos, mas sempre intensos.
Horas de dor e sofrimento, eis que alguém do outro lado resolve atender as incansáveis ligações, todo aquele sofrimento era aos poucos traduzido em alegria diante da brincadeira insana feito por algum sujeito sem amor no coração, ou com inveja de outrem. O choro persistiu, mas havia se transformado em emoção, graças à alegria d’alma naquele momento.
Uma boa noite de sono e um novo dia talvez não consigam apagar a dor daqueles momentos que já pareciam eternos, mas com certeza um sorriso apaga qualquer lembrança da maldita brincadeira inconseqüente do ser humano sem alma e acende novamente a chama da esperança.
Não morra jamais....

Nenhum comentário: