quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Como água

Sensação desagradável produzida pela excitação de terminações nervosas sensíveis aos estímulos dolorosos e classificada de acordo com o seu lugar, tipo, intensidade, periodicidade, difusão e caráter.
Aguda, cansada, ciática, crônica, da mente, de barriga, de cabeça, de cadeiras ou de camarada; de coração, de cotovelo, de dente, de ouvido, de peito ou de rim; de veado, difusa, fantasma, ou do parto; em barra, em choque, em cólica, em pontada ou em queimação; fina, imaginaria, irradiada, lancinante, ou localizada; lombar, media, na passarinha, ou no baço; orgânica, pós-operatória, pulsatil, surda, ou terebrante. Mas nenhuma dói mais que a dor da alma.
A dor da alma causa sensações adversas, o mundo cai sobre suas costas, mesmo estando você dentro dele; as gotas de orvalho que caem no meio da madrugada tornam-se uma tempestade ensurdecedora. O mundo para, e por um instante parece que é você que vai ter de gira-lo novamente.
A dor da alma causa remorso, desses que da vontade enfiar a cabeça num buraco e só sair daqui a uns 50 anos. A bolsa de valores despenca e é tudo culpa sua. O clima esquenta e o sol parece fritar todos os seus neurônios.
A dor da alma e como água, escorre pelas mãos, e quanto mais forte você tenta segurar, mas rápido ela sai por entre seus dedos. É um colchão macio cheio de pedras, uma rosa cheia de espinhos, um café com duas colheres de sal.
A dor da alma é a magoa guardada, o desgosto do espírito e do coração, o sentimento perdido no meio da multidão.Às vezes tem remédio e solução, um pouco de compaixão de 12 em 12 horas pelo resto da sua vida, uma injeção de felicidade por todas as manhas do inverno ao verão ate o dia que estiver em descanso em algum chão. Nas refeições é bom colocar uma pitada de paixão, um tempero de emoção e não esqueça do feijão, ferro faz bem ao coração.

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