Perdido no meio do mundoNão sei se é legal estar no meio.
No meio da briga, no meio do tiroteio, no meio da rua.
Será que podemos escolher um lado, ou pra alguns o que resta é o meio.
Somos julgados por tantas coisas, mas às vezes nem sabemos o que somos.
As coisas não nos incomodam mais, sempre está bom do jeito que está. Estejamos no topo da cadeia alimentar ou na base dela, no alto da pirâmide ou no fundo do poço.
Somos chamados do que a sociedade quiser nos chamar e tudo bem, pra que discutir? Por que discutir?
Se vamos ao bar somos bêbados, se gostamos de ficar batendo papo com amigos depois da meia-noite somos até drogados. Se vamos ao shopping num dia de folga somos vagabundos, se ficamos vendo TV somos uns desocupados. Será que não tem nada de bom que a sociedade possa dizer.
Não sei se quem, assim como eu, pertence à classe média, não tem dinheiro o bastante pra ser rico, ou se tem dinheiro demais pra ser pobre. O que defini a classe média? Será que as pessoas que ganham um salário mínimo estão na classe média, ou será que os que ganham mais de 4 salários mínimos estão? Acho que a resposta está no teatro. Os que estão nos camarotes e nos lugares onde é possível ver as expressões dos atores são os ricos, os que estão nos chamados balcões e numa distância que é possível ver os atores, mas impossível ver as expressões são os de classe média. Os que estão do lado de fora, ou trabalhando dentro do banheiro do teatro, são os pobres. Talvez essa seja uma boa definição.
O acesso a cultura é essencial pra formação do cidadão, mas que cidadão? É verdade que existem algumas manifestações populares, mas ate essas não são o que parece.
Este não é pra ser um texto político, apesar de parecer o contrario.
O carnaval é pra quem? Pra quem sabe sambar ou é pra quem paga pra se divertir?
Pra quem compra o abadá ou para os pipoqueiros?
Os hospitais são pra quem? As escolas são pra quem? E as universidades públicas são pra quem?
Podia ficar escrevendo milhões e milhões de perguntas, mas só uma é importante.
Somos pra quem? Pra nos mesmos ou para os outros?
Acho que somos para os amigos que precisam de nós e para os inimigos que precisam ainda mais, pois estes alimentam o seu ego tentando destruir o nosso. Em síntese não funciona pra nós, mas é muito útil a eles. É bom saber que fazemos à diferença até para os que nos odeiam.
Se você quiser acabar com o seu inimigo, coisa que eu particularmente não recomendo, basta dar um oi e ser gentil para com ele.
É bom ter inimigos, quando digo inimigos não me refiro só àqueles que querem nos ver mortos, mas a todos que de algum modo querem que você seja inferior a ele. Digo que é bom ter inimigos, pois esta é a maior prova de que você é melhor que alguém. Os inimigos só querem ser o que você é. E por isso sentem-se tão incomodados.
Não era pra ser um texto político, também não era pra ser um texto sobre inimigos, mas bem; nem sempre estamos daquele jeito pra escrever, as vezes as coisas não saem exatamente como queremos. A única coisa que posso concluir aqui neste final, é que continuarei com todas as minhas perguntas, inclusive porque algumas pessoas tem tanta magoa dentro de si e porque que as pessoas tem tanta aversão a quem é feliz.
Parece que fica todo mundo meio perdido, parece que o mundo todo está perdido dentro do mundo.
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